"JAMM Ilha Grande 2007 - Dou a volta ou não volto!"

Expedição circundando a Ilha Grande em caiaques oceânicos modelo mini-mares da antiga KTM.

Começou com uma brincadeira. No feriado prolongado de 12 de outubro de 2006, alugamos junto com amigos uma casa em Araçatiba, Ilha Grande. Em um dos dias, remando caiaques de plástico que combinam estabilidade e lerdeza, Marcus teve a idéia de circundarmos a ilha a remo. Eu (mineiro), Anderson e Jan topamos na hora. Claro que não seria naquelas balsas. Para isso teríamos que comprar ou alugar caiaques adequados, treinar, pesquisar uma forma de transportar os caiaques até a ilha e aí sim iniciar a aventura.

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Os Caiaques

Logo na semana seguinte o Marcus encontrou um caiaque anunciado, mas ao ligar para o vendedor ele já o havia vendido. Na insistência do Marcus, o vendedor disse que conhecia o fabricante e que poderíamos comprar diretamente dele os caiaques.

Pronto, era o que faltava. Tivemos de cara acesso direto ao fabricante que nos faria o caiaque de um modelo pré-estabelecido (mini-mares), porém do jeito que quiséssemos.

Marcamos encontro com o fabricante, doravante Valneli (21 9544-8665), e após uma ligeira negociação, consegui que ele nos fizesse os 4 caiaques por um preço bem acessível. Conseguimos também que ele fizesse os compartimentos estanque, tão importantes para guardar as bagagens e que não tinham originalmente no modelo Mini-mares.

Passamos um bom tempo estudando a melhor maneira de se fazer os compartimentos estanque. Os modelos que havíamos visto eram com tampas redondas. Desde o início não me conformei com esse formato pois dificultaria e muito para colocarmos nossas barracas, sacos de dormir, etc dentro dos estanques. Durante os acertos finais na fábrica do Valneli, perguntei se seria possível ele nos fazer um compartimento estanque com tampa retangular e não redonda. Ele me disse que nunca havia feito mas que seria possível sim. Então eu decidi ali que o meu compartimento estanque seria com tampa retangular. Ficou a cargo do Valneli então fazer-nos dois modelos iniciais. O meu com estanque de tampa retangular e o do Jan com o estanque redondo convencional.

Tava tudo indo bem mas o Valneli não se entendeu com as anotações e acabou nos fazendo 2 caiaques com o novo modelo de estanque, o retangular. Ele se confundiu ainda nas cores, fazendo 2 caiaques brancos, que seriam as cores pretendidas por Anderson e eu. Por sorte os estanques ficaram bem feitos sendo prontamente aprovados por todos. Tínhamos agora 2 caiaques prontos para começarmos os treinamentos e começava aí a saga JAMM na Praia Vermelha (URCA - RJ).

A PREPARAÇÃO

Pesquisando na internet sobre caiaques e expedições de Volta na Ilha Grande, encontrei o João Noritomi, que já havia circundado a Ilha Grande também de caiaque. Ele foi desde o início muito solícito e marcamos na Praia Vermelha um treino inicial onde ele nos daria dicas, técnicas de remada e afins.

O primeiro dia na Praia Vermelha foi um suplício. Nosso primeiro contato agora com caiaques oceânicos + água foi uma piada de mal gosto. Com apenas 30 segundos que háviamos partido para a água já havíamos tomado um caldo cada. Meu caiaque virou na onda e arrastou pela minha canela me rendendo um arranhado seguido de hematoma que durou 1 semana. Uma lástima. João riu de tudo, ofereceu-nos o seu caiaque para vermos a diferença. Passou o tempo, deu a hora e o João foi embora. Ficamos ali sentados, olhando para o caiaque e a frustrada tentativa. Nessa hora, foi fundamental a perseverança do Marcus. Ele pegou o caiaque e voltou para a água sozinho, dizendo que só sairia depois de conseguir remar no mini-mares. A persistência dele valeu e como ele conseguiu eu também resolvi tentar de novo. Com a ajuda dele e um outro canoísta que apareceu por lá eu também consegui remar.

Pudemos constatar de cara a velocidade do mini-mares que supera boa parte dos caiaques que já vimos, porém sua estabilidade é inversamente proporcional. Não viramos mas não nos afastamos mais que 100 metros da praia. Um início tímido para quem queria remar mais de 100km, sobretudo no mar bravio do lado oceânico da Ilha Grande.

Conversando sobre essa primeira experiência, e mais alguns testes na piscina da casa do Jan, vimos que o mini-mares era um bom caiaque mas havia dois poréns: sua estabilidade primária é fraca e seu cockpit original é estreito, o que dificulta o embarque. Essa combinação pode vir a ser um problema bem grave num dia de mar agitado. Então tínhamos nas mãos um barco muito bom, rápido e durável, porém que virava facilmente e com certa dificuldade para reembarcar. Como não conseguiríamos interferir na estabilidade do caiaque, começamos a pensar em outra solução. Após algumas ponderações, decidimos que o melhor seria aumentar o cockpit para facilitar o embarque. Os outros dois barcos nem haviam saído do estaleiro, e já havíamos decidido mudar a estrutura dos caiaques que tínhamos em mãos, sem ao menos saber se o Valneli teria condições de fazer essa alteração nos caiaques. Conversamos com ele que como sempre solícito (e enrolado) nos fez as alterações necessárias, por um pequeno acréscimo no valor original do caiaque.

Marcus mais prudente resolveu deixar a construção do seu barco em stand by, aguardando o resultado das modificações para saber se também as faria. Nesse meio tempo conhecemos o pessoal do CCC (Clube Carioca de Canoagem) que já haviam feito algumas expedições na Ilha Grande em caiaques. Eles nos ajudaram muito com dicas, mapas, cartas náuticas, companhia e principalmente incentivo nas remadas. Foi essencial conhecê-los para que continuássemos com o sonho da volta na Ilha Grande.

Enquantos os caiaques eram alterados na fábrica do Valneli, nós trocávamos idéias com o pessoal do CCC que nos incentivava a todo momento. As modificações foram bem sucedidas, e o Marcus mandou logo fazer o seu caiaque.

Na primeira semana de dezembro foi quando finalmente tivemos os 4 caiaques prontos. Agora só nos restava o treinamento nos finais de semana, dentro dos 2 meses que antecediam a aventura. Nessa fase, a Praia Vermelha e a Ilha de Cotunduba transformaram-se em nosso campo-escola. Continuamos remando com o pessoal do CCC e com eles aprendemos técnicas de remadas, desembarque em locais que não propriamente praia, observar tábuas de maré e ventos, etc. Reafirmo que foi de suma importância a participação do CCC em nossa parca preparação para a conclusão do objetivo maior: a volta na Ilha Grande.

Fizemos com eles também passeios muito interessantes como: visitas ao Forte Laje, as praias em Niteroi: Piratininga, Adão e Eva. e as Ilhas Pai e Mãe além das Ilhas Cagarras em Ipanema.

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