"JAMM Ilha Grande 2007 - Dou a volta ou não volto!"

Expedição circundando a Ilha Grande em caiaques oceânicos modelo mini-mares da antiga KTM.

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A VOLTA NA ILHA GRANDE - 4º Dia - Aventureiro a Araçatiba

4º Dia - Alvorada as 6h30. Marcus insistia nos perigos do mar e das pontas do Drago e Meros. Acatamos e rapidamente estávamos prontos para sair. O dia amanheceu meio feio, tudo cinza e a previsão da surfistinha não falhou. Pegamos pela frente um mar estranho bem diferente dos dias anteriores. Ondas seguidas que não eram grandes mas vinham com força e quebravam uma atrás da outra. Nossos caiaques voltavam sozinhos para a praia e tínhamos que tirar a água toda hora.

Nessa hora, mais uma vez eu tomei a frente, estufei o peito, ergui a cabeça na linha do horizonte, enchi a boca e falei firme: FUDEU! Foram bem uns 40 minutos tentando sair mas o mar não queria deixar, Marcus conseguiu passar a linha da arrebentação porém cheio d'água. Teve que pedir ajuda a um veleiro para esvaziar o seu caiaque.

Estávamos no camping do Luis, no canto esquerdo da praia do Aventuereiro e só conseguimos sair no canto oposto já perto do cáis. Por fim passamos a linha de arrebentação, meu caiaque também cheio d'água mas com ajuda do Anderson num resgate em X conseguimos esvaziar toda a água rapidamente.

Partimos dessa vez em direção ao que esperávamos ser a parte mais complicada de toda a volta na Ilha Grande. As famigeradas pontas do Drago e Meros. Marcus estava excessivamente preocupado com esse trecho. Fomos remando e a praia de Aventureiro ficou para trás; todos estávamos apreensivos, meio sem saber o que vinha pela frente. O tempo estava um pouco diferente do que havíamos pego nos dias anteriores. Sentíamos agora um mar agitado e as ondas bem maiores. O lado bom é que conseguíamos surfar bastante nas ondas ganhando boa velocidade e avançávamos repidamente. Estávamos também empolgados pelo que viria pela frente. Passaram por nós 2 embarcações bem pequenas, o que nos dava um certo alento ponderando que se eles estavam ali se arriscando, é porque o mar permitia. Mais à frente pudemos ver que o Drago estava em dia de lagartixa. A ponta dos Meros também estava tranquila e não ofereceu resistência. Eu passei a uns 10 metros das duas pontas sem problemas. Apenas por passar muito perto das rochas, eu pude ver que há uma laje provocando arrebentação. Tomei um leve susto com as ondas quebrando em cima de mim mas saí rápido. Passada essa parte viramos para a praia dos Meros onde paramos para descanso. Havíamos cumprido as partes que mais temíamos na Ilha Grande e dali para frente seria tudo muito mais calmo.

Muito bonita a praia dos Meros, pequenina, de mar calmo e límpido, encontramos um pessoal trabalhando na fábrica e foram muito solícitos. Apresentaram-nos o trabalho deles, ofereceram água e nos deram conchas de presente. Snorkelamos por ali um bom tempo e depois partimos em direção à Gruta do Acaiá. Remaríamos outra vez em águas abrigadas e a maior parte do risco ficava para trás.

Após aproximadamente 1 hora remando chegamos à gruta, desembarcamos e fomos visitá-la. Dos 4, apenas eu conhecia a Gruta do Acaiá. Seria então novidade para Jan, Anderson e Marcus. Logo ali na entradinha já foi maneiríssimo ver o vento que sai da gruta. Com toda aquela pressão e barulho que ele faz já estava valendo ingresso antes mesmo de entrar.

Lá dentro o visual é maravilhoso, a claridade da água, somanda à luz do sol que entra pelo mar deixa uma faixa verde neon riscando no meio do escuro. Pena estar com maré muito cheia então nem deu para snorkelar dentro da gruta.

Na saída paramos um bom tempo snorkelando pelo lado de fora onde avistamos um fundo muito bonito e rico. Encontramos o que acreditamos ser a entrada da gruta e mergulhamos em meio a uma grande variedade de peixes e estrelas do mar.

Estava entardecendo, então partimos para a praia de Araçatiba, nosso almoço e 4ª pernoite seria lá. Passando pela Praia Vermelha, Marcus olhou para mim e disse: "Tamo chegando cara, já estamos em águas conhecidas por nós hehehe". Havíamos remado ali da outra vez mas agora estávamos em caiaques adequados, andávamos muito rápido e a vontade de desembarcar na praia de Araçatiba era muito grande.

Chegando em Araçatiba, aventuramo-nos entre as pedras e manobramos os caiaques com um pouquinho de emoção. Estacionamos os caiaques já em frente ao restaurante, velho conhecido da viagem anterior. Estávamos ficando bom no trem já. O cansaço só perdia para a fome então fomos logo pedindo COMIDA. Como demorou um pouco a sair, acabamos comendo toda a farofa que estava na mesa :)

Ainda no restaurante conhecemos um pessoal de Educação Física da UFRJ. Eles praticavam corrida de aventura e enduro a pé. E estavam dando a volta na Ilha Grande por trilhas, no sentido contrário ao nosso. Ficaram curiosos quanto aos caiaques então enturmamos logo. Curtiram nossa idéia e disseram que ano que vem darão a volta na Ilha Grande também de caiaque.

A Praia Grande de Araçatiba é um lugar muito bonito e fica bem perto da Lagoa Verde. Águas cristalinas e tranquilas. É um vilarejo razoavelmente povoado mas tudo muito conservado. Em Araçatiba costuma acontecer o Festival do Mexilhão no mês de outubro.

Passamos o resto do dia ali, caindo no mar e conversando com esse grupo. Jogamos peteca com eles onde pudemos desbancar os campeões, vingando o Anderson que havia perdido. Jogamos ainda de dupla Marcus e Eu vs Anderson e Susan (integrante da equipe) que sairam como nossos patos. Fizemos fotos do entardecer que deixou um céu maravilhoso. À noite pizza e mais conversa, negociamos uma pousada por R$50 para os 4 :D e ficou nisso. Fomos dormir não muito tarde já pensando no último dia, que apesar de remar em águas tranquilas, seria o dia mais puxado devido à distância a ser percorrida (38km) até a Vila do Abraão.

» Volta na Ilha Grande - 5º Dia

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