"JAMM Ilha Grande 2007 - Dou a volta ou não volto!"

Expedição circundando a Ilha Grande em caiaques oceânicos modelo mini-mares da antiga KTM.

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A VOLTA NA ILHA GRANDE - 2º Dia - Santo Antôno a Parnaioca

2º Dia - Alvorada 6h30, café relativamente rápido e zarpamos em hora boa rumando para a praia do Caxadaço. Algumas ondas traiçoeiras na saída tentavam nos intimidar. Ergui o peito, montei no caiaque e saí na frente em tom desafiador. Depois de parar uma onda no peito e enxarcar todo o cockpit do meu caiaque, continuei tranquilamente. Olhei para trás e vi: Jan, Anderson e Marcus se lamentando porque que eu não havia virado nas ondas hahaha. Amigos estão aí para isso né? Como seriam apenas 2km até a próxima parada eu nem me ocupei de tirar a água do caiaque. Passados os 2km chegamos a praia do Caxadaço. Havíamos realmente chegado muito cedo e o sol nasce no lado oposto da ilha, portanto não havia nem iluminação boa para foto ainda em Caxadaço. Fizemos o reconhecimento do lugar e fomos desfrutar a praia.

Caxadaço é uma praia que não dá para economizar em comentários. Maravilhosa, tranquila, com sombra e água doce abundante, belíssimos visuais. A ideal para fotos a meu ver; isso SE aminha câmera não resolvesse fazer greve. Bebeu água salgada e parou de funcionar. Nem perdi muito tempo, guardei-a no estanque e fomos curtir a praia, dar uma snorkelada por ali. O mar da praia do Caxadaço tem um fundo muito bonito mas com poucos peixes.

Partimos por volta de 10h30 rumando para a praia de Dois Rios mas no meio do caminho, depois de considerar as ótimas condições do mar, e dar uma pré-checada na carta náutica, Jan e eu achamos melhor abortar Dois Rios e cumprirmos logo o temido costão. Marcus e Anderson concordaram então partimos em direção ao que pensávamos ser um dos crux da expedição. O motivo de temermos o costão, é porque ele fica entre as praias de Dois Rios e Parnaioca, mede aproximadamente 9km e não há possibilidade de desembarque. Qualquer problema ali pode se tornar grave pois as ondas arrebentam com muita força nas pedras e não seria possível desembarcar além da possibilidade de ficarmos isolados num lugar não habitado da ilha reduzindo as possibilidades de socorro.

Havíamos percorrido em torno de 1/3 do costão, e constatamos que o mar estava muito calmo, o calor era escaldante e Marcus tinha hora certa para ter a sua costumeira cãibra então resolvemos tomar um refrescante banho de mar ali mesmo, em frente ao costão.

O banho foi tão bom, que o remo do Anderson decidiu ficar por ali. Nunca mais o vimos :( Procuramos por volta de meia hora e nada de achar o remo. Os remos vão amarrados nos respectivos caiaques, mas o Anderson se esqueceu de por o remo para dentro do caiaque enquanto estava no mar; o nó acabou se soltando e tivemos assim um problema que poderia se agravar bastante caso o mar virasse, precisávamos agir rápido. Passado o stress inicial, começamos a pensar no lado prático. Teríamos que rebocar o Anderson até a praia de Parnaioca nos aproximadamente 6km restantes.

Havíamos levado uma corda para amarrações necessárias e também para essa situação mesmo caso precisássemos. Amarramos a corda na proa do caiaque do Anderson e nas popas do caiaque do Marcus e do meu. Nós o rebocaríamos fazendo um triângulo enquanto ele ajudava remando com as mãos o o que surte praticamente NENHUM efeito. Depois de uns 30 minutos nos degladiando no mar em tentativas que funcionavam mas eram demasiadamente desgastantes, optamos por tentar outras medidas. O Anderson que é um nadador nato, quis ir nadando enquanto rebocávamos o caiaque dele. Idéia genial, com 3 remadas estávamos cerca de 200 metros à frente dele. Só deu para ouvir um grito abafado lá longe: PÁÁÁÁÁÁÁÁRAAAAAAAA.

Decidimos então rebocar um de cada vez. Marcus, se antecipou e pediu para ir primeiro. Remou uns 2 quilômetros e chegou a minha vez. Remei uns 2 quilômetros também e de repente a luz no fim do túmulo. Avistamos uma lancha vindo em nossa direção. Sinalizamos, ela parou à frente e retornou. Quando expusemos o nosso problema, o piloto da lancha deu de ombros e disse que estava promovendo passeio com turistas. Alegou que caso fosse socorrer o Anderson teria que andar muito devagar atrapalhando o passeio. Falou isso e zarpou. Pela lei, qualquer embarcação é OBRIGADA a prestar socorro mas o piloto ignorou essa lei e foi embora.

Lá fomos nós de novo eu rebocando o Anderson quando por fim avistamos outra lancha que dessa vez parou e socorreu. Era uma grande lancha que acomodou o caiaque do Anderson na popa e os levou até a praia de Parnaioca sem maiores problemas. Chegamos uns 30 minutos depois, exaustos mas muito felizes.

A praia de Parnaioca estava com uma leve arrebentação, por isso o desembarque foi com uma pouco de emoção mas nada demais. Parnaioca estava indescritivelmente bonita. Havia ainda bastante luz e o mar estava claríssimo. Dava para ver nitidamente as gradações do azul ao longo da praia.

Parnaioca é outra praia especial. Fica bem no meio da Ilha Grande porém no lado oceânico, por isso é menos procurada que as demais. O mar tem diferentes tons de azul e no canto direito da praia há uma bica de água doce e um rio bem grande e límpido de águas claras com fundo de areia que deságua no mar.

Tomamos um banho refrescante no rio. Enquanto Anderson que chegou primeiro à praia já vinha sorridente empunhando um remo de canoa com apenas uma pá (o de caiaque possui 2 pás) e medindo 1 metro (ha ha ha). Urubu na guerra é frango. Fomos conhecer o salvador da pátria, o Sr Silvio, gente finíssima.

Pudemos ainda ver um helicóptero pousar em Parnaoica, mas levantou vôo em seguida e desconhecemos o que o fez pousar ali. Ainda bem. Almoçamos um PF ali que apesar de delicioso não consegui passar da metade. Para não fazer desfeita com seu salvador, o Anderson arrematou o restante tendo inclusive iniciado o processo de limpeza do prato.

O tempo livre ficou por conta de nadarmos no rio curtirmos a praia e um pouco de sombra. Pouco depois encontramos novamente com o casal que havíamos conhecido em Lopes Mendes. Seus nomes eram: Gustavo e Bianca formando o casal e Daniela, irmã do Gustavo.

Ficamos conversando um tempo, pudemos demonstrar nossas habilidades dignas do Cirque du Soleil na corda que fica na árvore próxima ao rio. Snorkelamos mais em companhia dos nossos novos amigos e combinamos de a noite subir para a cachoeira, e de lá ver a lua nascendo. Ali pelas 18 horas minha câmera furou a greve e voltou a funcionar normalmente. Tudo bem que eu havia perdido a melhor hora de luz para fotos, tanto em Parnaioca quanto em Caxadaço, mas antes assim que perder tudo.

Chegou a noite, subimos para ver a lua mas não vi muita graça. A lua fica encoberta por uma árvore cuja copa está muito cheia tapando boa parte da visão então descemos. Nesse dia a tivemos mais sorte a noite, e deu até para armar a barraca.

Fui dormir bem tarde no fim do segundo dia mas sem preocupação pois o dia seguinte seria uma remada de apenas 12km e sem crux até a praia do Aventureiro.

» Volta na Ilha Grande - 3º Dia

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